domingo, 10 de outubro de 2010

Uma Oferenda da AFFOSPA




Nasce uma nova iniciativa e um novo espaço para a música de câmara em Porto Alegre.

Os músicos da OSPA, através de seu órgão de classe (Associação de Funcionários da Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - AFFOSPA) lançaram, no último sábado, dia 9 de outubro, na sala de ensaios da Orquestra, no Armazém A3 (Cais do Porto), sua própria série de concertos.


Este concerto inaugural representa o embrião da nova série de câmara, e, ao mesmo tempo, o marco inicial de uma nova fase da AFFOSPA.


A nova série de concertos de música de câmera constitui uma iniciativa de músicos da OSPA de criar um roteiro alternativo para esse gênero de música, e assim se aproximarem do público gaúcho em um ambiente mais íntimo e pessoal.

Fernando Cordella (convidado), cravo


Para este momento especial e simbólico, escolhemos a Oferenda Musical de Johann Sebastian Bach - uma coleção de peças baseadas em um tema musical apresentado a Bach, como desafio, por Frederico II da Prússia, o "rei-flautista". Inserimos uma sonata para flauta de J.G. Müthel - o último aluno de J.S. Bach - como elemento de contraste. Nossa seleção da Oferenda incluiu a grande Trio-Sonata para flauta, violino e contínuo, o Canon Perpetuus, e o transcendental Ricercare a 6.




Um projeto tão ambicioso só pode se consumar se for alimentado pela energia de muitas pessoas. A presença de músicos convidados, que se ombreiam a nós músicos efetivos da OSPA, nos enche de alegria e enobrece a série.


Luciano Dalmolin, contrabaixo; Cosmas Grieneisen, viola e coordenação geral



Carlos Sell, violino barroco



Artur Elias, traverso; Diego Schuck (convidado), viola da gamba


Como atração toda especial, tivemos os comentários do Prof. Dr. Ronel Alberti da Rosa. Figura única na cena cultural portoalegrense, nosso querido Ronel é instrumentista, regente, professor de filosofia e escritor (lançou recentemente A Sombra de Orfeu - Neoplatonismo Renascentista e o Nascimento da Ópera).

Suas falas durante o concerto, preparadas com grande cuidado, foram sempre curtas o suficiente para não tomar da música o lugar principal, e no entanto provocativas, profundas, como que socraticamente querendo (e conseguindo) "abrir a cabeça" dos ouvintes (e músicos tbém) para a experiência musical que se seguiria. A atuação de Ronel qualifica não apenas a série da AFFOSPA, mas a cena musical portoalegrense como um todo. Creio que ela estabelece um novo parâmetro para o conceito de recital comentado, que não deverá ser ignorado.



Impressões


A sala de ensaios da OSPA no armazém A3 do Cais do Porto é bastante problemática para a sua finalidade principal - acomodar os ensaios de uma orquestra sinfônica grande - e ainda requer investimentos para se tornar um local de trabalho adequado. No entanto, como sala de concerto, para grupos pequenos, revelou-se uma ótima alternativa: a acústica é boa, o ambiente, sóbrio mas agradável.

Como inexiste ali um palco, podemos montar a "cena" como quisermos. Tivemos a idéia de dispor os músicos em círculo, para favorecer ao máximo a escuta e o equilíbrio sonoro neste repertório polifônico e complexo. O público foi acomodado em um outro círculo (3/4 de círculo, na verdade), à volta dos músicos. Quase um teatro de arena. Essa disposição no espaço reflete bastante bem o ideal de organização horizontal, compartilhada; e parece favorecer tbém a integração dos ouvintes, diminuindo de certa forma o distanciamento entre músicos e ouvintes. O resultado foi mais do que satisfatório: uma verdadeira comunhão musical, momentos de rara beleza.

Para os próximos concertos, pretendemos experimentar com horários e formatos diferentes. Idéias é o que não nos falta. Esperamos que mais e mais colegas da Orquestra tragam idéias e propostas.



Agradecimentos:

aos músicos convidados Fernando Cordella e Diego Schuck, sem os quais este repertório não seria possível; ao Ronel pela generosa participação; à Direção da OSPA pelo apoio, muito especialmente nas pessoas de Éder Silva, responsável pela logística do A3, e Milena Fischer, assessora de imprensa; e ao Mano (Anibal Elias Carneiro) pelas imagens, plenas de emoção, sem as quais esta postagem não teria nenhuma graça!

sábado, 31 de julho de 2010

Música em Pessoa

A Rádio da Universidade (UFRGS) transmite um programa de entrevistas dominical, chamado Música em Pessoa, que a cada edição destaca uma personalidade musical que tenha algum tipo de relação com o Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS - professores, ex-professores, alunos e ex-alunos, basicamente.

Dentre os já entrevistados estão alguns personagens preciosos, que eu chamo carinhosamente de "dinossauros" da música erudita sul-riograndense, como p.ex. Hubertus Hofmann, Hans Hess, Dirce Knijnik e Marcello Guerchfeld, todos importantes mestres formadores de instrumentistas, e compositores/formadores de opinião como Celso Loureiro Chaves e Flávio Oliveira.

O bacana é que o programa tem um blog mantido e atualizado pela incansável apresentadora Ana Laura Freitas, através do qual se pode (re-)ouvir as entrevistas já realizadas, em forma de podcast (no próprio ambiente do blog), ou baixar os arquivos para ouvir depois.


Aos poucos vai se reunindo ali um apreciável acervo de relatos; uma história recente da música de concerto portoalegrense na voz de muitos de seus protagonistas.



O programa destacou recentemente este humilde blogueiro.

Acho que a entrevista está realmente boa. Esse cara diz coisa com coisa. Estranhamente, concordo com tudo…

Alerta: não é uma entrevista politicamente correta. Alguns temas importantes foram propostos pela ótima entrevistadora Ana Laura Freitas: formação e sistema de ensino musical, auto-estima e profissão, saúde do músico, o que é uma orquestra, arquitetura de salas de concerto e teatros, o que é música de câmara, dentre outros. A conversa fluiu com evidente franqueza. Não espero que todos (as) concordem. Dizem que a unanimidade é burra.

A entrevista foi recheada com algumas gravações - as melhores que consegui localizar depois de recente mudança de domicílio. Algumas delas estão muito boas, considerando seu contexto.

Ao reescutar essas gravações, me deu uma vontade imensa de fazer um agradecimento de coração a todas as pessoas cujo som/atuação nelas se faz sentir:

Dunia Elias, Giovani Berti; todos os músicos da Orquestra de Câmara da Ulbra que tocaram comigo o difícil Concerto de Ivan Jevtic; todos os queridos colegas da OSPA que me ajudaram a realizar o Concerto de Carl Nielsen (especialmente os que trabalharam comigo fora do horário normal de ensaio); meus colegas do Quarteto Instrumental (Elena, Vladimir e Rodrigo); os regentes Abel Rocha e Tiago Flores; e - de uma maneira muito especial: ao Marcelo Sfoggia, sem o qual nenhuma dessas gravações (e quase nenhuma memória musical portoalegrense) existiria.

Link direto para o arquivo da entrevista aqui.



quarta-feira, 2 de junho de 2010

Unimúsica - improvisações com Santiago Vazquez

Um músico sem fronteiras, este Santiago Vazquez.

Um cara que aparentemente esqueceu de "aprender"
a se limitar e se encaixar em rótulos e compartimentos.

Inspirador.

E se de repente cada um de nós descobrisse
que pode ter a mente clara, aberta e flexível
de uma criança (sem deixar de ser adulto)?

Segue abaixo uma descrição do espetáculo
nas palavras do Xahrá de Faria.



Conheço o Santiago Vazquez há uns 10 anos. O cara é um dos maiores músicos que eu já conheci, no mundo. Toca todos os instrumentos, e é um virtuose impressionante em vários dos de percussão (incluindo a difícilima 'Mbira, do Zaire). Mas, mais do que isso, é compositor, produtor, band-leader de diversos grupos e criador de um sistema de senhas de improvisação coletiva que é uma das coisas que ele vai mostrar amanhã.
Vou ter a imensa honra e o ainda maior prazer de tocar com ele (piano, piano de brinquedo, acordeom e glockenspiel), pela primeira vez, e justo com um time de músicos de quem sou fã (vários deles ex-integrantes ou atuais integrantes do Arthur de Faria & Seu Conjunto): Artur Elias (flauta e flauta-baixo, o único não seuconjuntino), Fábio Mentz (fagote, latofone, bânsuri, harmonium), Ricardo Arenhaldt (bateria e percussão), Luke Faro (bateria) e Diego Silveira (xilofone, bendir, panelas, pandeiros).
Acabo de chegar do ensaio e posso garantir que foi uma das experiências mais profundas que eu já tive em música, numa absoluta felicidade, uma comunhão e uma alegria de criar coletivamente, mas com uma coordenação bem clara, uma música sempre irrepetível.
Eu, se fosse tu, não perdia por nada desse mundo esse show.
Por nada desse mundo.
20h, Reitoria da UFRGS, entrada franca (leva alimento não-perecível)
Beijo nas mina e abrazzo nos mano
A vida é boa
Arthur de Faria, este seu criado

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Proto-Oferenda bis; SBPoA se reúne

Muita gente ficou do lado de fora, alguns escreveram pedindo uma reprise, outros ainda solicitaram que a parte didática do concerto fosse aprofundada.

Então teremos a alegria de reapresentar a Proto-Oferenda. Desta vez acompanhada de uma breve contextualização histórica seguida de um guia de escuta/introdução a alguns aspectos da obra. Fica para mais adiante a montagem da Oferenda completa, acompanhada de cometários tbém mais aprofundados.

Sábado, dia 8 de maio, às 20:30, no Studio Clio.


Programa, ficha técnica e outros detalhes aqui.


foto: Chico Marshall


Sociedade Bach Porto Alegre
se reúne

Este concerto coincide com uma primeira reunião da recém-fundada Sociedade Bach Porto Alegre. Na verdade, relendo o release , me pergunto se está realmente programada uma reunião pós-concerto, ou se o concerto em si é a reunião.

Esta dúvida é muito interessante e serve para ilustrar um aspecto essencial da constituição da Sociedade.

O que é a SBPoA?

Sabemos quais são suas metas, definidas que foram na ata inaugural; mas, na prática, como se desenvolverão as atividades, quando, quem, onde, etc?

Creio que ninguém no momento tem respostas para estas perguntas, e me parece bom que seja assim.

Contudo, gostaria muito que mais músicos profissionais, amadores, e apreciadores da música, se sintam convidados a participar da SBPoA, se aproximem de fato, e, com seu apoio, suas idéias, seus sonhos, ajudem a dar forma a algo que está começando pequeno, e que pode se tornar algo muito grande e significativo.

A SBPoA nasceu de uma iniciativa de Chico Marshall, associado num primeiro momento a algumas personalidades musicais e intelectuais que de uma forma ou de outra são próximas do Studio Clio, que está abrigando a Sociedade neste primeiro momento.

Isso não significa que estas pessoas (especialmente os músicos) vão formar um corpo estanque e vitalício (em bom português: uma panelinha), muito menos que elas são donas da SBPoA.

Porto Alegre tem uma infeliz tradição de panelinhas, bem como outras formas de mediocridade* que muito contribuem para que nosso meio artístico e intelectual esteja muito menos interessante e significativo do que já poderia ser.

Que a SBPoA seja um marco na construção de uma outra maneira de atuar - uma maneira plural, horizontal, aberta a crítica construtiva, ao mérito advindo de talento & esforço.


* P.ex., a chamada mutual admiration society: grupo de pessoas que têm o hábito de expressar admiração e apoio (tão-somente), e elogiar umas às outras, com freqüência, de maneira recíproca (um troca-troca), às vezes exageradamente.
Sobre este tema e algumas de suas implicações existe um bom artigo do tradutor (e ex-pianista) Peter Naumann, intitulado "À Sombra da Escola do Elogio Mútuo", que descreve como esse comportamento impacta negativamente a produção cultural/intelectual sul-riograndense. Está na excelente coletânea "Nós, os Gaúchos", vol. I, de 1992.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma Proto-Oferenda Musical; SBPoA

Acontece na próxima sexta-feira, e é a realização preliminar de um antigo projeto. O Studio Clio anuncia o concerto como Uma Oferenda Musical.

O título alude à grande e enigmática obra homônima de J.S. Bach. Ein Musikalisches Opfer é na verdade uma coleção de peças baseadas todas em um único tema (imagem abaixo), o qual, segundo reza a lenda, foi soprado (literalmente) por Frederico II da Prússia, o rei-flautista, quando da visita de Bach à corte de Sanssouci (onde atuava seu filho, o tbém genial Emanuel Bach), em 1747.


Muito se especulou sobre o que seriam as "verdadeiras motivações" e a "verdadeira" autoria do tema. Frederico o teria apresentado a Johann Sebastian, e proposto um desafio: conseguiria ele improvisar uma fuga a partir de melodia tão complexa? Alguns vêem malícia ou mesmo a velada intenção de ridicularizar o velho Bach, no que Frederico teria sido ajudado pelos compositores da corte. Será? Bach era profundamente respeitado por seus contemporâneos, inclusive por seus filhos; encontramos referências a isso em vários textos da época. Frederico era um excelente músico amador, e compunha profusamente. Fato é que Bach foi capaz de improvisar uma fuga a 3 vozes; declinou o desafio seguinte (improvisar uma fuga a 6 vozes), mas decidiu compor não apenas esta peça (conhecida como Gran Ricercar a 6), como toda uma coleção de complexos cânones, onde mostra um virtuosismo contrapontístico espantoso, e, finalmente, uma majestosa Trio-Sonata. Esta é de certa forma a peça menos "abstrata" da coleção, a única não inteiramente composta em contraponto imitativo; tbém é a peça mais longa, e contém dificuldades de ordem superior a quaisquer outras obras do mesmo gênero e época - incluindo-se aí as do próprio J.S. Bach.

Em relação à parte de flauta, pode-se dizer que seja uma das mais trabalhosas, se não a mais difícil, de toda a literatura mais conhecida do séc. XVIII. Aqui poder-se-ia especular (se quisermos seguir a "linha conspiratória") que Bach, profundo conhecedor dos instrumentos, tenha tentado pagar ao rei na mesma moeda, presenteando-lhe uma composição talvez acima das habilidades flautísticas do monarca.

A coleção, que é dedicada a Frederico, traz em seu título uma ambigüidade que alimenta as especulações: Opfer significa oferenda, mas tbém sacrifício e até mesmo vítima.

foto: Chico Marshall

De minha parte, diria que esta será uma proto-Oferenda, e a realização preliminar de um sonho já antigo: há cerca de 4 anos, pouco depois de uma produção dos Concertos de Brandemburgo com a OCTSP, os três rapazes da foto acima (mais o gambista Diego Schuck) nos reunimos pela primeira vez para estudar a partitura da Musikalisches Opfer. O sonho realizar-se-á por completo quando montarmos a Oferenda na íntegra - quem sabe ainda nesta temporada?

Desta vez, tocamos somente a grande Trio-Sonata e o Canon Pertuus; completam o programa um apanhado de peças instrumentais e vocais de J.S. Bach.



Sociedade Bach Porto Alegre



Há menos de uma mês, em um sarau-reunião bem caloroso no Studio Clio, foi criada a Sociedade Bach Porto Alegre.

Naquela tarde de domingo, além de fazer e ouvir música (de J.S. Bach, evidentemente), lavrou-se a ata de fundação da SBPoA, e brindou-se jubilosamente.

Segundo a ata que foi assinada por todos os presentes (músicos, organizadores e ouvintes, sem distinção), consistem metas da SBPoA:


1) gravar com musicologia porto-alegrense toda a obra de J.S. Bach;
2) estimular a realização de concertos, seminários, estudos, encontros, ciclos de cinema, excursões e intercâmbios;

3) valorizar o estudo e difusão da música antiga e de seu impacto sobre a tradição.


Hmm, alguém que por acaso vier a ler a postagem inaugural deste blog - que contém algumas provocações bastante válidas - perceberá, na seção de comentários, uma frase de Chico Marshall, Nosso Homem Renascentista, que já prenunciava o fato, há exatamente 1 ano.

Milton Ribeiro, um dos âncoras do portal O Pensador Selvagem, repercutiu o sarau e a fundação em seu blog pessoal .



Nosso concerto de sexta-feira, embora faça parte da série Orfeão, é tbém o primeiro concerto da SBPoA, e uma Oferenda a ela; com votos de uma vida longa e próspera!




Quando: sexta-feira próxima, 23 iv, às 20h30

Quem:
Fernando Cordella (cravo), Carlos Sell (violino barroco), Artur Carneiro (traverso)
participação de Ângela Diel (soprano)

Onde: no


graças ao apoio da





informações/reservas

3254.7200



sábado, 23 de janeiro de 2010

"Lula's Band"

Não é notícia nova, mas tem certa relevância e agora resolvi postar sobre isso mesmo assim. Antes tarde do que nunca...

Um grupo de músicos portoalegrenses, capitaneados pelo trompista/arranjador Alexandre Ostrovsky, foi contratado para fazer um espetáculo dentro do jantar "Apresentando o Melhor do Brasil", promovido pela APEX BRASIL (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O mega-evento aconteceu poucos dias antes do Natal (há pouco mais de um mês, portanto), no interior dos suntuosos salões do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Os convidados eram basicamente membros da elite do alto empresariado exportador brasileiro, bem como parte da cúpula do Governo Federal, incluindo o Sr. Presidente Lula, de cujo discurso na ocasião se pode ler um resumo aqui.

Carol A., Lúcio, Jorge, Carol H., Rodrigo, Carla, eu, Guaracy, Íris, Alexandre

A tarefa da "Lula's Band" (como foi bem-humoradamente auto-apelidada) não era das mais fáceis: foi encomendado um repertório de bossa-nova, com cerca de uma hora de duração. A idéia de "tocar bossa-nova para os cariocas" parecia um pouco intimidante, no início. Outros fatores somavam-se para aumentar a tensão da situação: a responsabilidade de todos os envolvidos no evento, por sua importância política e econômica, o esquema de segurança em função da presença do Presidente, o ambiente formal, etc.


O espetáculo da banda culminou em uma performance de Aquarela do Brasil, quando um charmoso quarteto de cordas entrava em cena dialogando musicalmente com a banda. As meninas do quarteto estavam posicionadas em pódios individuais, dentro da área dos convidados. A este final apoteótico seguiu-se um vídeo promocional da Apex que a mim me pareceu uma verdadeira obra-prima de propaganda. Sem ironia!: depois de assistir àquele vídeo, era difícil conter o sentimento de ufanismo; tinha-se a impressão que o Brasil é o maior e melhor país do mundo. Bastou andar alguns poucos metros do lado de fora do Copacabana Palace para voltar à realidade, é claro. De qualquer maneira, o vídeo é o mais brilhante exemplo da Teoria do Copo Meio Cheio que eu já vi. E isso é importante, às vezes.

Lula's Band, arregimentada pelo Alexandre Ostrovsky (que tbém escreveu todos os arranjos), esteve formada pelos seguintes músicos: Lúcio e Jorge Dorfman, piano e violão respectivamente (sobrinho e filho do grande Paulo Dorfman), Rodrigo Lopes, bateria, Antônio Guaracy, contrabaixo, o próprio Alexandre, trompa, e este que aqui escreve, à flauta. Os três últimos somos integrantes da OSPA. Formaram o quarteto de cordas: Íris Andrade e Caroline Hallberg (violinos), Carol Argenta (viola) e Carla Pacheco (cello).


Uma das coisas mais bacanas desta empreitada foi ter podido conhecer pessoalmente algumas pessoas com quem nunca tinha trabalhado, e que me impressionaram pelo profissionalismo, atitude, e inteligência emocional. Tivemos vários dias de trabalho intenso, consciência constante da grande responsabilidade, e alguns momentos um pouco difíceis, mas absolutamente zero de stress interpessoal "intra-banda". Fizemos o que se esperava de nós, que não era pouco considerando o tempo disponível, e voltamos do Rio dormindo o sono dos justos, por assim dizer. Aliás, creio que a maioria precisou de uns 2 dias desse sono justo para se recuperar da maratona.

As imagens que ilustram esta postagem foram capturadas por mim (a do grupo completo usando temporizador, é claro). Não fazem jus ao glamour do evento mas refletem o clima dos bastidores antes & depois. Para visualizar melhor, clique sobre a foto.