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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ouvir e Compreender Música: Debussy, Villa & cia no Clio


Orfeão – ouvir e compreender a música de Porto Alegre. Assim se chama a nova série de concertos promovida pelo Studio Clio em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. A proposta da série - por coincidência - não poderia ser algo mais afinado com a meta deste blog:

A série valoriza músicos e músicas da cidade, ou aqui atuantes, com repertórios locais e internacionais. Os concertos Orfeão valorizam também a compreensão da linguagem musical, oferecendo diversos recursos didáticos a cada concerto.

A quem não conheça o Studio Clio e, particularmente, a figura do Nosso Homem Renascentista, Prof. Dr. Dr. Chico Marshall, poderia passar pela cabeça a idéia que se trate de mais um projeto de natureza provinciano-ufanista, dos quais nossa terra é pródiga. Nada poderia estar mais distante da verdade, entretanto:

Em alusão ao ano da França no Brasil, a série Orfeão apresenta "Sonoridades francesas e brasileiras", um painel da música francesa do final do século XIX e início do século XX, época em que ela influenciou diretamente a música brasileira. Neste contexto, o Collegium Musicum Porto Alegre apresenta também obras de Heitor Villa-Lobos, um dos compositores brasileiros que mais intensamente viveu as relações entre Brasil e França.



Correndo sério risco de ser acusado de francofilia , o Trio Giverny (i.e. Collegium Musicum, neste caso) volta a interpretar a Sonata para Flauta, Viola e Harpa de Claude DEBUSSY - uma das grandes obras da música de câmara do início do séc. XX, e virtual razão da existência deste Trio, bem como de todos os trios de idêntica formação.


Outro destaque deste concerto é participação vocal e muito especial de Cíntia de los Santos, que interpreta duas canções de Gabriel FAURÉ (com harpa) e duas canções de Albert ROUSSEL sobre sonetos do grande poeta renascentista Pierre de RONSARD. Estas últimas têm a interessante particularidade de ter sido compostas para soprano e flauta, tão-somente, e possivelmente serão ouvidas em Porto Alegre pela primeira vez. "Rossignol, mon mignon" é a versão renascentista daquilo que nós chamaríamos uma canção de dor-de-cotovelo. Enquanto os arabescos melódicos da flauta representam o pássaro irrequieto, a parte vocal chora um amor não correspondido. "Ciel, aer et vens" é um soneto de despedida, musicado por Roussel em ritmo de siciliana, com um estilo de contraponto que evoca a música antiga. Encontrei esta versão portuguesa:

"Céu, ar e ventos" - Pierre de Ronsard
(Trad. de Fernando Torquato Oliveira)

Céu, ar e ventos, píncaros dispersos,
colinas e florestas verdejantes,
rios sinuosos, fontes borbulhantes,
campos ceifados, bosques tão diversos,

semi-abertos covis, antros imersos,
pastagens, flores, ervas rastejantes,
vales longínquos, praias coruscantes,
e vós, rochedos, que guardais meus versos,

desde que partirei, mas sem dizer
adeus ao seu olhar, para esconder
esta emoção que nunca terá fim;

eu vos suplico, céu, ventos e montes,
pastagens e florestas, rios, fontes,
antros, flores: - dizei-lhe adeus por mim!


Além das canções de Fauré e Roussel, Cíntia junta-se ao Trio para mostrar trechos da Cantilena (Bachianas Brasileiras nº 5) de VILLA-LOBOS e do Dueto das Flores, da ópera Lakmé, de Leo DELIBES. Nosso violista e mega-agitador cultural, Cosmas Grieneisen, encontrou um elo de ligação entre as Bachianas e Lakmé. Quer saber o que é? Venha e ouça...


Complementam o programa - que contém uma mescla cuidadosamente escolhida de "música desafiadora" e "clássicos populares" - mais cinco peças instrumentais de Saint-Saëns, Fauré, Debussy, Villa, e Jacques IBERT.

Artur Elias, Cosmas Grieneisen, Norma Rodrigues: Trio Giverny



23 de julho, quinta-feira, às 20h30min

ingressos a preços populares:
R$ 15,00 (público em geral)R$ 10,00 (professores, estudantes e idosos)

no Studio Clio

R. José do Patrocínio 698 - Cidade Baixa

fone (51) 3254 7200

(tem estacionamento conveniado, visite a página para saber detalhes)


domingo, 19 de abril de 2009

Trio Giverny no Santander - uma estréia

Como primeira notícia musical neste novo blog, nada mais apropriado do que anunciar uma première - ou seja, uma estréia.


É com muito entusiasmo que compartilho o tardio nascimento de mais um ensemble (grupo de música de câmara) do qual tenho a imensa alegria de fazer parte: o Trio Giverny, formado por Norma Holzer Rodrigues (harpa), Cosmas Grieneisen (viola) e este que aqui escreve.


Como todos os trios de flauta, viola e harpa do mundo, o Giverny existe em virtude de uma obra musical em especial, com a qual esta formação instrumental foi de fato 'inventada': a Sonata de Claude DEBUSSY (mais sobre isso no release do concerto, abaixo).



Embora a estréia oficial seja hoje, no Átrio do Santander Cultural, já tivemos a oportunidade de realizar algumas avant-premières (pré-estréias), o que nos dá a sensação de já ser realmente um conjunto entrosado. Tocamos o Interlude da Sonata na solenidade de assinatura do novo convênio OSPA-UFRGS, quando tivemos a curiosa honra de contar com o Mº Isaac Karabtchevsky como virador de páginas; e fizemos pequenos recitais na Sala Luís Cosme e na Aliança Francesa, apresentando parte do programa de hoje.



Segue release do concerto, de autoria do Cosmas, e as informações de praxe.


[Peço desculpas pela abundância de termos franceses - creio que esta música nos transformou momentaneamente em francófilos...]



T R I O G I V E R N Y

Uma rara formação de música de câmera, o trio para flauta, viola e harpa, se apresentará neste domingo, 19 de abril, às 17:00 no Átrio do Santander Cultural.

Os músicos da orquestra sinfônica de Porto Alegre Cosmas Grieneisen (viola), Artur Elias (flauta), e Norma Rodrigues (harpa) apresentarão, entre outras obras do impressionismo francês, a famosa composição de Claude DEBUSSY que, completada três antes sua morte em 1918, desde então é tida como opus sui generis, tendo posteriormente influenciado inúmeros compositores para compor para esta formação tão eclética. A obra, entitulada Sonate pour flute, alto et harpe é composta dos movimentos Pastorale, Interlude e Finale.


Inspirando-se nas telas de Claude MONET, o trio leva o nome de Giverny, região da França na qual o pintor, em seu jardim, criou, ao longo dos anos, uma série de obras entituladas “Les Nymphéas” (exemplo acima). Essas composições, cujo sujet (tema) é a flora aquática, e, principalmente, os reflexos de luz na água, invocam momentos de efemeridade, e, embora de caráter pastoril e melancólico, possuem grande intensidade emocional; de certa forma, podem ser consideradas o manifesto visível da música de DEBUSSY.




Quando: domingo, dia 19 de abril, às 17:00
Onde: Átrio do Santander Cultural
Rua Sete de Setembro, 1028 (Pç da Alfândega) - Centro

informações fone 3287-5940